História documentada 2004—2015

Videolog.Vídeo online antes do YouTube.

Em 2004, quando publicar vídeo na web ainda exigia conhecimento técnico e banda larga era limitada, Ariel Alexandre e Edson Mackeenzy criaram uma plataforma brasileira para simplificar esse processo.

2004ano de criação registrado por Folha, Exame e outras fontes
15 milusuários segundo Ariel em entrevista à Folha, no primeiro mês informado
2008comunidades, HD, player distribuído e API aberta

Origem

Da linguagem do rádio à interface da web.

O Videolog nasceu do encontro entre duas experiências. Ariel e Edson conheciam a produção de mídia e queriam reduzir a dificuldade técnica de publicar vídeo na internet.

Uma reconstrução independente do Manual do Usuário/Tecnocracia identifica Ariel Alexandre e Edson Mackeenzy como colegas na Jovem Pan e descreve a criação do serviço. A dupla vinha do rádio e conhecia o desafio de levar conteúdo até o público. Na internet, codificar, hospedar e incorporar vídeo ainda era difícil para a maioria das pessoas.

Precisão temporal

As fontes concordam com o ano de 2004, mas divergem sobre o mês exato do lançamento. Por isso, este arquivo usa apenas o ano até que um documento primário resolva a diferença.

Primeiros registros

Uma reportagem contemporânea, não uma memória posterior.

Em 24 de novembro de 2004, a Folha de S.Paulo entrevistou Ariel como fundador do Videolog em uma matéria sobre o uso de vídeos em blogs. O texto registrou aproximadamente 15 mil usuários no primeiro mês informado pela empresa.

Nove dias antes, em 15 de novembro, O Globo havia publicado “E o vídeo vem aí. Olê, olê, olá”, de André Machado e Elias Monteiro, no caderno Informática etc. A referência bibliográfica e o vínculo com o início dos vlogs e do Videolog estão preservados em um artigo acadêmico da revista Animus . Essa matéria documenta o contexto da plataforma, mas não é usada aqui como prova pessoal sobre Ariel.

Esse registro é importante porque foi publicado no mesmo ano em que o serviço começou a operar. Ele evita que a história dependa apenas de retrospectivas ou de descrições produzidas pelos próprios fundadores.

Em 14 de dezembro de 2006, uma retrospectiva corporativa do UOL identificou Ariel como criador e diretor de tecnologia do Videolog e publicou uma declaração dele sobre a parceria. O registro é nominal e contemporâneo, mas pertence ao próprio parceiro comercial da plataforma.

Oito dias depois, o comunicado original do UOL formalizou a parceria nacional, identificou Ariel novamente como criador e diretor de tecnologia e publicou duas declarações dele. O anúncio registrava 170 mil usuários, 1,5 milhão de visitantes únicos mensais e 35 milhões de page views. São métricas atribuídas ao UOL em dezembro de 2006; os dois textos pertencem à mesma origem corporativa.

Em abril de 2007, o IDG Now! voltou a identificar Ariel e Edson como fundadores e descreveu o foco em conteúdo brasileiro e licenças Creative Commons. As métricas daquele texto também vinham da empresa e permanecem datadas.

A edição de 11 de março de 2007 da Revista O Globo levou à capa uma seleção das dez maiores celebridades da internet no Brasil. Uma nota contemporânea do Webinsider confirma a pauta. Perfis posteriores da Gazeta do Povo e do E-Commerce Brasil relacionam Ariel à seleção. Como a página digitalizada localizada no Acervo O Globo não permite conferir com clareza todos os nomes, a inclusão é tratada como informação retrospectivamente corroborada, não como leitura direta do scan.

Arquivo visual

A partir daqui, interfaces, estudos internos, campanhas e registros de eventos ajudam a mostrar como o produto foi tomando forma. Cada legenda separa o que a imagem documenta do que as fontes públicas permitem afirmar.

Captura de uma interface inicial do Videolog no endereço videolog.click21.com.br
Interface preservadaCaptura do arquivo histórico sob o endereço videolog.click21.com.br. A data exata não foi determinada; o vídeo visível é de 2005.

O produto

O site evoluiu de hospedagem para infraestrutura social.

Em 2010, a Exame incluiu o Videolog entre cinco startups brasileiras, identificou Ariel como sócio de Edson e descreveu a plataforma como precursora brasileira do vídeo on-line. A reportagem se concentra na narrativa de Edson e não detalha a contribuição técnica de Ariel.

Em uma entrevista em vídeo publicada pelo TechCrunch em 29 de julho de 2010 , Julio Vasconcellos citou o Videolog como uma empresa brasileira de vídeo on-line que já existia antes do YouTube e o apresentou como exemplo de inovação vinda do Brasil. O vídeo migrado pelo próprio TechCrunch preserva esse registro internacional da plataforma fundada por Ariel Alexandre e Edson Mackeenzy.

Em 8 de novembro de 2010, a TELA VIVA registrou que o Videolog havia encerrado a parceria com o UOL e se associado ao R7, da Record. A nota informou que o serviço atendia de 18 a 20 milhões de vídeos por mês. Outra cifra publicada no texto, de cerca de 500 milhões, não explica se representa acervo, publicações ou exibições acumuladas e, por isso, permanece apenas como registro atribuído ao veículo.

Em página publicada em 2011, a revista Exame incluiu Ariel e Edson em uma reportagem sobre a geração brasileira de empreendedores digitais posterior à bolha da internet e situou o Videolog antes do YouTube. O texto retrata um contexto anterior, mas o arquivo usa a data que a página exibe atualmente.

Outra lista editorial da Exame, de dezembro de 2011 , apresentou Ariel e Edson à frente da criação e destacou persistência e inovação. Este arquivo não incorpora a narrativa sobre uma transação posterior presente no mesmo trecho. Em 2012, The Next Web voltou a identificar Ariel como cofundador em cobertura internacional da parceria com a OvermediaCast.

Em novembro de 2007, Tiago Dória, no iG , registrou os testes de vídeo em alta definição e publicou uma declaração de Ariel sobre o lançamento então previsto. Em 2008, o Interfaces documentou a presença da plataforma na Campus Party e 1,8 milhão de cadastrados. Naquele mesmo ano, a Tecnocracia entrevistou Ariel como diretor de tecnologia durante o lançamento da terceira geração do produto.

Um registro corporativo da Intel na Campus Party documentou os dois fundadores apresentando a API. Como parte dos recursos ainda era plano da equipe, o arquivo distingue demonstração realizada de promessa de produto.

O estudo visual abaixo ajuda a ver como esse trabalho era imaginado pela equipe. Ele documenta o processo de design preservado no arquivo interno, não uma reprodução exata da página que foi ao ar.

Proposta visual interna da terceira geração do Videolog
Proposta de produtoEstudo visual associado ao trabalho da terceira geração do Videolog.
01
Comunidades

Grupos e relações em torno de interesses, não apenas páginas isoladas de vídeo.

02
Alta definição

Melhorias de codec, compressão e reprodução descritas na entrevista de 2008.

03
Distribuição

Player externo discreto para incorporar vídeos em outros sites e blogs.

04
API aberta

Recursos remotos para desenvolvedores criarem aplicações e integrações.

As especificações e métricas foram publicadas durante o lançamento e refletem o que a equipe dizia naquele período. O produto tentava fazer o vídeo circular pela web, em vez de deixá-lo preso à página em que estava hospedado.

Marcas e distribuição

O player também vivia fora do Videolog.

A distribuição não era apenas uma especificação técnica. O arquivo preserva páginas temáticas e incorporações do player em outros ambientes digitais.

A Tecnocracia registrou em 2008 que a Paramount Pictures América Latina usava o Videolog. As duas capturas abaixo pertencem ao mesmo conjunto documental e preservam páginas da plataforma com a identidade da Paramount.

Página do Videolog com identidade visual da Paramount
Canal ParamountCaptura preservada no arquivo interno do Videolog.
Página temática de Cloverfield no Videolog
CloverfieldOutra execução do mesmo conjunto de uso da plataforma.

Em março de 2010, a Conexão UFRJ registrou Ariel em um debate sobre produção de vídeo na internet e sua observação de que usuários do Videolog já eram remunerados por grandes empresas. É uma evidência nominal sobre o modelo que estava se formando, não sobre uma campanha específica.

A fotografia abaixo aproxima esse registro. Segundo a identificação do acervo pessoal, Ariel aparece à esquerda, Antonio Tabet, do Kibe Loco, ao centro, e Marcelo Tas à direita. Os três estavam entre os participantes do debate documentado pela Conexão UFRJ sobre os rumos da produção de vídeo na internet.

Ariel Alexandre ao lado de Antonio Tabet e Marcelo Tas
Um encontro da cultura digitalArquivo pessoal datado de 2010 e associado por Ariel ao 12º VideoVideo. Pessoas identificadas pelo acervo pessoal; autoria da fotografia não identificada.

Separadamente, a Promoview registrou, em 2009, o anúncio de uma campanha do PontoFrio.com prevista para ser promovida no Videolog . A matéria confirma o plano de usar a plataforma na divulgação, mas não documenta a execução nem permite afirmar que a captura abaixo pertença à mesma ação.

Página do PontoFrio.com com player identificado como Videolog
Player incorporadoPágina do PontoFrio.com preservada no arquivo interno, com um player identificado como Videolog.

Convergência

Quando a internet começou a disputar a interface da televisão.

Na cobertura do InterCon 2008, o InfoWester relatou a apresentação de Ariel sobre TV digital, a trajetória do Videolog e o T!V!, serviço que permitia montar uma programação a partir de vídeos online.

O arquivo oficial do iMasters confirma a palestra “A TV do Futuro”. Uma cobertura da Pólvora! registra Ariel também em debate sobre modelos de negócio, com a ressalva de que a agência participou da cobertura do evento.

No ResultsON Day daquele ano, um relato do Startupi descreveu o TiVi apresentado pelo time do Videolog como ferramenta de programação e edição ao vivo de vídeos de diferentes plataformas. O texto é uma avaliação em primeira pessoa, não um perfil neutro.

Em 2009, uma reportagem da revista Época preservada pelo TI Rio identificou Ariel e Edson como criadores do Videolog e documentou a tentativa de levar canais e vídeos da internet para a televisão.

O arquivo interno também guarda a proposta visual abaixo, construída com a identidade da Band. Ela mostra uma direção de interface estudada para o T!V!, sem comprovar por si só parceria, implantação pública ou transmissão ao vivo.

Proposta visual interna para experiência T!V! com identidade da Band
Experimento de interfaceProposta visual preservada para uma experiência T!V! com identidade da Band.

Aquela experiência não antecipou sozinha o streaming atual. Ela mostra algo mais simples e verificável. A equipe percebeu uma mudança de interface e começou a construir enquanto a categoria ainda estava em formação.

Legado

O que permanece relevante na história.

Em 2010, o Correio Braziliense voltou a entrevistar Ariel como criador do Videolog em uma reportagem sobre a popularização de webséries e vlogs. Anos depois, o Canaltech preservou uma conversa sobre a história da plataforma no InterCon 2015.

Em dezembro de 2015, o Webinsider registrou que o Videolog havia encerrado as atividades naquele ano . O artigo preserva a leitura de Edson sobre o ciclo da empresa; a cofundação por Ariel e Edson está documentada nas fontes históricas reunidas nesta página.

Em entrevista publicada pelo Projeto Draft em 2023 , Edson Mackeenzy descreve a criação conjunta do Videolog com Ariel Alexandre e atribui a Ariel decisões técnicas iniciais de FTP, player e compressão de vídeo. A reportagem também registra o encerramento da plataforma em 2015. Os detalhes técnicos aparecem no relato de Edson, enquanto o superlativo permanece atribuído ao título do Projeto Draft.

Em livro memorialístico publicado pelo Curso em Vídeo em 2024 , Gustavo Guanabara relata que conheceu Ariel e Edson em 2008. Segundo ele, o Videolog foi o elo que o levou a experimentar a publicação de aulas em vídeo. É um testemunho retrospectivo em primeira pessoa, útil para documentar influência concreta da plataforma, não uma reportagem independente sobre os fundadores.

O Videolog possui verbetes próprios em português e inglês , além do item Q7928027 no Wikidata . Essas páginas são mantidas por comunidades independentes e não por este site.

A relevância histórica do Videolog não depende de chamá-lo de “primeiro” em termos absolutos. Ela está documentada na criação em 2004, na cobertura contemporânea e no desenvolvimento brasileiro de interfaces para publicar, distribuir e assistir a vídeo online.

Referências selecionadas

Fontes usadas nesta reconstrução.

  1. 2004 Folha de S.Paulo — Nova mania leva vídeo a diários virtuais
  2. 2004 / 2020 Animus — referência acadêmica a “E o vídeo vem aí. Olê, olê, olá”
  3. 2006 UOL — O ano do vídeo na Web e no UOL
  4. 2007 Webinsider — registro contemporâneo da capa da Revista O Globo
  5. 2006 UOL — parceria nacional com o Videolog
  6. 2007 IDG Now! — Videolog pode ser o YouTube brasileiro?
  7. 2007 Folha de S.Paulo — Brasileiros erram ao mirar o YouTube
  8. 2008 Intel Brasil Digital — lançamento da API
  9. 2008 Tecnocracia — Videolog entra em sua terceira geração
  10. 2009 Promoview — campanha do PontoFrio.com anunciada para o Videolog
  11. 2010 Conexão UFRJ — debate sobre produção e marcas no vídeo online
  12. 2008 InfoWester — InterCon 2008
  13. 2008 Startupi — Impressionado com o TiVi.tv
  14. 2009 Época / TI Rio — A internet chegou à televisão
  15. 2010 TechCrunch TV — Videolog no contexto da inovação brasileira
  16. 2010 TELA VIVA — transição da parceria do UOL para o R7
  17. 2010 Exame — Videolog, precursor brasileiro do vídeo on-line
  18. 2011 Exame — A geração pós-bolha da internet
  19. 2011 Exame — Oito empreendedores digitais
  20. 2012 The Next Web — Videolog e OvermediaCast
  21. 2015 Webinsider — encerramento da operação naquele ano
  22. 2020 Manual do Usuário / Tecnocracia — reconstrução independente
  23. 2023 Projeto Draft — criação conjunta, origem técnica e encerramento
  24. 2024 Gustavo Guanabara / Curso em Vídeo — influência do Videolog em sua transição para aulas em vídeo

O arquivo completo organiza as reportagens independentes, os registros institucionais e as imagens históricas usados nesta página.